Amar Sempre Mais

Quero te ver em cada segundo durante o dia em meus pensamentos…
quero te ver em cada segundo durante a noite em meus sonhos…
quero me expor ao sol e sentir que na realidade o seu calor é incomparável….

Quando do advento da noite quero olhar as estrelas e a pálida lua… e lembrar que ao brilho dos teus olhos no universo a nada se equivale.
amo-te e não existe nada maior que isso e ponto final!
Porque para ser feliz bastante se faz amar, amar como se nada no mundo existisse em igual beleza…

Porque para quem ama o amor não implica em dimensões, implica simplesmente em emoções intraduzíveis,
sempre inéditas…
um dia nunca igual ao outro..
o amor que nos é legado sempre, dia após dia, nos surpreende com uma nova nuance…
tão maravilhosa quanto aquilo que não se podia imaginar!
Um amor singular e privilegiado no coração amado sempre brotará…

Hênio Aragão

Negros Olhos do Amor

Teus olhos pousados nos meus,
negros como noite escura invadida pelas luzes estelares
prendem-me como por encanto!

Extático, numa morbidez intima, permaneço…

Solitário, penetro a imensidão do universo particular da minha alma

Olhar difuso…
difuso sonho em embriaguez profunda

Momento de contemplação…
Divago!

E se desvia doce olhar,
em vácuo escuro e frio não tardo a estar

Mesmo perdido em abismo isolado, há algo a me acompanhar…
nobre e bela,
companhia salutar que por mim vive a zelar…
é amor que jaz no peito!

O vácuo é superado,
não preciso d’ele escapar,
pois logo é suplantado pelo que de grande existe em coração enamorado

 

Hênio Aragão

Devoção

Ei…
Eu quero, quero tanto, tanto…
Fazer-te sorrir, ver-te feliz…
Sentir o toque do teu nariz
Ei…
Você também pode ouvir?
É a voz do destino.
vê?
É o destino que se nos vem anunciar… como és belo!
Nele eu vejo toda a paz que almejo… e ao meu lado, és tu quem segura em minha mão.

Veja, amor…
Dá-me tua mão… toca meu peito
Sente?
É amor… doce
tão doce!

Eu tenho um sonho…
ter você comigo muitas vezes por um instante… assim, exclusivamente minha!
não é necessário exaurir todo o teu tempo apenas comigo…
mas quero quando em um instante que seja, que este instante seja somente meu

sonho com os teus beijos,
com o calor do teu corpo imprimido no meu,
com os teus meigos olhos fitos nos meus…

Devaneios…
tão intensos desejos.
contemplo tua imagem que visita meus pensamentos com constância
e o seu perfume, ah! Sinto-o…
estendo minhas mãos para debalde alcançá-la… é sempre assim, confundo a realidade com a ilusão… é que os sentidos e os predicados da razão cedem à imensa sede sofrida pelo coração e se condicionam a miragens, tamanha é a necessidade que os abala.

Grandioso amor, este que dilata meu peito, desmesurando meu coração em proporções inabarcáveis…

Prazer e dor…

Dor que não chega a ser expiação, distante disso… Mantém-me desperto!
Assim, também é prazer… Satisfaz minha alma lembrando-me que além do que há em derredor, e acima de tudo, existe um bem maior… um tesouro particular incapaz de se extenuar… tesouro só meu!

Somente quem é capaz de amar pode sentir o coração rasgando suas fibras, inflamado de paixão

Vem,
toca meu coração com teu hálito, move minha alma com o fogo renovador do teu beijo,
faz brilhar com teu sorriso o caminho que me leva até você…

E no final dessa jornada, quando eu não mais estiver…
lembra apenas que você foi o meu destino
e que para o além do que se pode ver existe um amor, um grande amor que jamais perecerá… e a minha lembrança em teu coração será a centelha que nos manterá unidos por toda eternidade, como prometi um dia…porque imperecível é o amor escrito pelas penas de um poeta.

Hênio Aragão

A Ti, Mulher

Mulher.. hoje é o seu dia. Dia em que todos os olhares e interesses são voltados à tua enorme importância.

Hoje é o dia em que todos, em um único ato, te homenageamos… pois todos os outros dias também são teus, pelo que representa para a humanidade: tua figura consubstanciada em força, em lealdade, em coragem… em puro amor com intensidade, nas diversas formas em que és capaz de se exprimir… na forma de companheira leal, na expressão de amizade, com toda sua força e fidelidade, e na mais alta expressão de sua condição de mulher: como mãe… em seus braços encontramos o abrigo, a segurança… o mais  terno amor.

Mulher… tu és obra divina, fonte de força e de vida… é a nossa pura certeza de que nunca estaremos perdidos neste eterno caminho de flores e espinhos.

Hênio Aragão

 

” Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave … “
( Vinícius de Moraes )

Saudade

Hoje mais uma vez
viestes em meus sonhos

E teus olhos, como outrora,
tão belos,
tornaram a enganar-me…
encantei-me novamente!

Vieste tu, terna e adorável
e tirou-me do torpor da saudade…
Teu néctar sorvi delirante e apaixonado…
Quão doces emoções senti!
Enternecida e suave minha alma ficou

e ao acordar
ébrio e só,
chorei!

Hênio Aragão

Em Eterna Lapidação

Orbitando, os homens, no infinito cosmos do Direito, em busca do Justo, muitas vezes enveredaram na senda da injustiça, pelas várias distorções propagadas pelos eternos sofistas, aqueles que buscaram fazer do Direito uma indelével ferramenta de destruição e de subjugação do homem pelo próprio homem, fundamentando a tirania numa legalidade ilegítima e imoral.

Inobstante os revezes encontrados, cada um, com sua justa pretensão buscaram conquistar a razão, com o insigne desiderato de fazer da Themis sua fiel companheira. Graças aos grandes homens, e temendo o aniquilamento total, o Direito de tempos em tempos, de momentos em momentos, em cada caso concreto da vida particular ou das grandes problemáticas internacionais, vem lapidando sua forma. Suas duas faces, o Direito Positivo e o Direito Natural, paulatinamente e numa perpétua caminhada, vêm buscando a sintonia perfeita.

Metamórfico, peregrinando desde o primeiro momento da história da humanidade, vem o Direito como ferramenta da justiça buscar o real devir, que é fazer brilhar para todos a sua essência primordial. E para “tornar-se o que é”, como diria Nietzsche, é preciso que o homem faça do Direito não uma mera profissão, mas um legado, um ideal incorruptível.

Não é possível, que entenda cada ser social, cada pessoa humana, olvidar a importância do Direito. Aqui vale o brocardo “ubi societas, ib ius” (onde há sociedade, há o Direito), visto que não há segurança, não há família, não ha ordem sem que seja sob a égide do Braço da Justiça.

Assim, cheio, repleto de elucubrações, emoções e distorções, inundado de contradições, caminha o Direito, desenvolvendo-se, geração após geração, numa caminhada sem fim, rumo ao horizonte do dever ser da ordem jurídica, que é a paz e o bem estar da humanidade. O Direito caminhará junto aos homens, estará eivado de seus vícios e virtudes, pois ele, o Direito, reflete tão somente aquilo que aspiramos e o que somos. Na mesma medida em que mudamos nossos costumes, concomitantemente muda-se a ordem jurídica.

Neste mister, nós que enveredamos pela estrada do Direito, lutamos para imprimir no seio da humanidade aquilo que entendemos por Justiça, eternamente buscando alimentar a essência do Direito, ajoelhados aos pés da deusa.

Hênio Aragão

Melodia

Por toda a noite cai a chuva atravessando a escuridão triste e solitária,
como a banhar a humanidade com as lágrimas serenas dos deuses
trazendo ao coração do poeta as condições mais perfeitas para a versificação daquilo que deveras sente
e que derrama em torrentes por todos os poros,
em cada ato exalando sua poesia consubstanciada em sentimentos de infinitas nuances…
em cada gesto,
na expressão de um olhar,
na intensidade de um sorriso…
no mais puro desejo de amar

Os pássaros encarcerados ecoam seu canto cativo, como que a reclamar ao poeta:

“−Canta conosco, poeta, o Amor, a Vida, a tua felicidade, as tuas dores.
Toma a tua alma a lira e deixa que o teu coração cante as melodias que te fazem viver…”

Neste comenos, o velho bule ferve sob a intensidade do fogo o café,
este com seu aroma todo inspirador a convidar ao deleite de uma agradável xícara enquanto a vírgula no verso espera fecundamente.

Ao lápis, neste mesmo diapasão, o coração passa a confidenciar-lhe todo o seu amor, a fim de que descreva com ternura a imagem dos seus devaneios, dos sonhos que o visitam mesmo em vigília.

Em breves instantes é possível nos versos que seja contemplada a imagem que inebria e que encanta o poeta…

Eis que a bela musa se revela.
E seus olhos,
ah! seus olhos,
tão negros e desafiadores…
em seu fito imerge o amante em instantes tão profundos e eterno, quanto suave e enternecedor…

Embalado pela ótica, assim enfeitiçado, reclama à musa o ósculo sonhado…
E com quão gracioso sorriso, dela antecipado, doce beijo ele sorve.

Transladando-se aos mundos etéreos, lócus da felicidade, o infinito penetra em seu coração…
e o infinito ao coração pertence, porque ilimitado é o amor que verdadeiramente sente.

Ao desenlaçar dos lábios, com ternura a bela se despede e o amante, absorto, fecha os olhos, ali permanecendo, na imensidão da sua alma,
nas profundezas do cosmos criado pela união de seus sonhos,
até o retorno,
ao toque da lótus em seus sentidos, balsamizando a sua vida…

O lápis, eivado de vida, nas linhas derradeiras três pontos ali rasura, na esperança de que o poeta a ele retorne com sua perpétua canção de amor…

Hênio Aragão

Dualismo

 

 

 

 

 

Não és bom, nem és mau: és triste e humano…
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.

Olavo Bilac

Amor Perpétuo

Procurei, amor, uma forma que fosse possível de revelar minha ternura,
meu afeto,
o meu amor…

Mas, por Deus! Eu não posso culpar os poetas por tamanha negligência,
por eu não ter encontrado nada comparado ao meu suave e tirânico amor…
afinal, eles nunca puderam ver através dos meus olhos, nem sentiram com o meu coração.

Minha poesia é única, também é inusitada…
é metamórfica e transcendente.
É sentimento que não se sente duas vezes da mesma maneira…
é corrente que leva e renova, e traz com mais força a felicidade…

Essa paixão é minha força…
são os cavalos alados que levam a carruagem da minha vida… fazendo-me transportar montanhas e vencer os Ciclopes da vida…

Meu amor é único,
renovador,
é a aurora após noites sombrias…
é a fênix da minha vida!

Hênio Aragão

Sonho de Amor

Meus pensamentos são teus há algum tempo…
ah! o perfume que inebria…
o teu cheiro em toda a minha atmosfera…
por onde quer que eu ande,
é o teu hálito que me acalenta os sentidos.
Em cada rosto distante, é o teu que enxergo e quando me dou por percebido
é com profunda tristeza que lamento…
Quando chega a noite, procuro pela solidão, fiel companheira de poesias…
não me contento e através da solidão a busco em meus pensamentos…
oh, musa,
tu és o destino final do meu dia!
tu és o meu amor!
surgiu vinda dos braços providenciais do destino…
tão inusitada,
tão crepuscular,
tão sobejamente especial!
Onde estás, que não envolvida em meus braços?
Onde estás, que não sob o toque dos meus lábios?
Dolorosos anseios…
meus mais doces desejos!
Meio a suaves divagações, sem perceber, o sono vem reclamar à companhia, embalando-me numa letargia profunda…
sonhos…
doces sonhos traz consigo o sono amigo…
A alma finalmente descansa,
contigo posso me encontrar.
E olhando em teus olhos digo as mais belas palavras,
traduzindo os meus mais belos sentimentos…
toco-lhe a face,
quando dos teus olhos fechados então aproximo da tua a minha face…
oh! nenhuma outra maravilha poderá reproduzir tamanha satisfação!
Nesta sintonia, invadido pelas dimanações da paixão,
êxtase profundo e insondável,
levo-me vagarosamente ao encontro do teu beijo…
ao sentir tua respiração o meu peito ganha vida,
minhas sensações não cabem dentro de mim…
esqueço a Terra que já não mais existe,
transportamo-nos aos mundos idílicos…
neste cenário passamos a contemplar a maravilha do nosso amor, superando a temporalidade da vida,
a fugacidade do tempo,
perpetuado-nos na intensidade da nossa paixão.

Hênio Aragão

Cogito Ergo Sum

 

              Algumas vezes tenho me deparo com situações interessantes, estas situações me fazem refletir sobre qual tipo de criatura eu seja… Um homem do gênero homo sapiens sapiens (homem que sabe que sabe), ou seja, aquele que sabe o que faz, tem a capacidade REFLEXIVA e, por tanto, CRÍTICA, ou serei um mero homo sapiens ( homem que sabe) este simplesmente repete ações automaticamente, pois sabe que daquela ação decorrerá um resultado previamente esperado. Entretanto, este homem não sabe o porquê do resultado, ele simplesmente espera que aconteça e assim vai vivendo, como um mero animal agindo por meio de instintos e alguns pensamentos primitivos, mas sem REFLEXÃO. Qual desses homens eu sou?

              A resposta vem logo em seguida quando me questiono sobre a minha postura diante de problemas que exigem de mim qualquer iniciativa, mínima que seja. Falo de atitudes, de atos concretos e não de mera vontade de agir. A vida não tem sentido, não tem valor, se não fazemos jus a condição que nos consagra como seres humanos, que é a de fazer repercutir as nossas convicções naquilo que consideramos mais correto.

              Algumas situações da vida comum nos reclamam à ação, ao combate que às vezes é inevitável quando nos deparamos diante de uma descarada injustiça, diante de falhas dantescas daqueles que nos devem o respeito mínimo aos direitos pertencentes a nós, estes que foram conquistados à custa de muito suor, lágrimas e sangue. Observar a inércia das pessoas ante essas lesões é muito doloroso… calar frente a uma injustiça não é menos amargo do que sorver uma taça repleta de fel!

              Mas ainda há quem possa argumentar que existem certas batalhas que não se podem vencer, brigas que não se pode comprar, pois são impossíveis de serem vencidas… Existem dois pontos de vistas de onde podem ser entendidas estas questões. O primeiro é o ponto visto a partir de uma perspectiva imediatista, onde o indivíduo almeja alcançar ele mesmo o gozo do objeto discutido, ou seja, visa um fim para si e não para uma causa mais abrangente, partindo deste princípio com certeza os efeitos são negativos e qualquer propositura nesse sentido pode ser de total fracasso.  Numa outra face, por outra ótica considerada mais nobre, por ser mais difícil de ser aceita, toda batalha lutada em virtude de um ideal é uma batalha vitoriosa, visto que além de se plantar bons exemplos de cidadania, aquele que lesa o teu direito, ou os que pretendem fazê-lo, pensarão moderadamente antes de intentarem contra eles. Vejam, o que não é admissível de forma alguma, é a total apatia, a inércia, a subserviência, o que configura total desrespeito a dignidade humana. “Todo aquele que, ao ver seu direito torpemente desprezado e pisoteado, não sente em jogo apenas o objeto desse direito, mas também sua própria pessoa…” ( Rudolf Von Ihering)

              Em o homem existindo é preciso que ele se revele e mostre sua real natureza. Então eu pergunto: −És homem ou um verme que rasteja? Se for homem, faz ouvir a tua voz, mostra que existe, diz-me o que tu pensas!

              O silêncio é o desamparo da verdade e o berço da injustiça. Através do diálogo e da ação, doa a quem doer, conseguiremos alcançar nossos propósitos em virtude da democracia, da verdade, da ética e da justiça, nem que seja a longo prazo, mesmo que não venhamos a vivenciar o êxito do investimento… O verdadeiro cidadão luta pelo todo e não pela parte, e que as próximas gerações possam desfrutar de melhores condições que as nossas, assim como experimentamos melhores do que a daqueles que nos precederam. Isto somente foi possível por conta da luta de bravos cidadãos e em detrimento da vida desses heróis, muitos dos quais já esquecidos e desonrados pelo nosso sossego, desta falsa paz.

              O homem, este animal político, o verdadeiro cidadão, tem um pequeno diferencial consigo, ele não apenas assiste e ouve dizer sobre as coisas que acontecem ao seu redor… ele luta pelo Direito (na acepção jurídica), pelos direitos dos homens… o homo sapiens sapiens é muito mais, é o questionador, é aquele que luta pela verdade e pelo cumprimento do dever, pela melhoria das condições de fornecer ao cidadão o gozo dos seus direitos triviais.

              Aproxima-se o segundo turno para a escolha de um novo Presidente da República do Brasil… desse Estado Democrático de Direito. Nossa escolha irá repercutir por muito tempo, positiva ou negativamente. NÃO aceitemos simplesmente algumas melhorias, a velha política do pão e circo, cobremos as soluções.

Hênio Aragão

Meu Luto

Luto…
neste momento eu luto para abstrair das experiências trágicas da vida um saber valioso,
o que representa uma fagulha de saber,
esta necessária sabedoria que nos mantêm vivos e não menos íntegros.

De luto,
não por aquele que partiu e em virtude de quem deveras sentimos a dor da perpétua ausência,
deste que passara a desvendar o grande enigma,
adentrando no seio dos mistérios ocultos da vida e do eternal cerrar dos cílios, levando guardando consigo as inauditas respostas…
Mas mantenho o luto pelos que ficaram,
por mim mesmo,
por estes que choram inconsoláveis lágrimas de sangue…
este rubro pesar indelével,
incomiserável,
inexorável,
tão previsível quando distante, enquanto mera ferramenta renovadora da vida humana…
e numa outra face, é inusitado fado quando se nos apresenta reclamando, em troca de lágrimas, as almas queridas.

Oh, morte!
Tu és esfinge cujo enigma nos impelirá um dia a desvendar, calando, em troca, a nossa voz para os que nos sucedem…

De tudo, resta-nos uns aos outros,
consolando-nos mutuamente,
balsamizando nossas dores…
e nesse mister, nada obstante, abrimos a alma,
e com qual maravilha o homem não se depara quando diante do verdadeiro “eu” de cada um, desprovido dos véus do orgulho que a dor soprou de seus rostos!
Sobra-nos ainda a lição de que a vida é uma moeda de duas faces: onde uma é apenas superficialmente conhecida, caminho extenso a ser caminhado pela humanidade a fim de serem desvendadas suas mais sutis nuances…

A outra face é aquilo que denominamos morte…
longamente discutida,
objeto completamente controvertido…
mistério,
enigma,
segredo…
uma verdade ainda não revelada, sem certezas convictas, apenas o benefício da dúvida nos resta…
e veja,
uma dádiva!
A dúvida,
a nossa grande esperança!

Hênio Aragão

Abrasados

Sonho com a ternura abrasadora
da tua pele ao sol, minha morena.
Cingir teu corpo, na ânsia que envenena
e te apertar com sede domadora.

Eu quero a calidez inflamadora
dos teus seios macios. Bela cena!
Sujeita-te, que a chama em mim o ordena
pra consumir-te as curvas, sedutora.
Sujeita-te. Desbravo as tuas curvas
até que encontro, em meio a ondas turvas,
o que quer tanto a sede insaciada.

Em meio a convulsões, suor e beijos:
prazer que explode em ânsias e desejos –
grande paixão que aos anjos foi negada.

Filipe Cavalcante
18.09.2010

Filipe Cavalcante, estudante de Direito da Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

Súplicas

Oh, Deus…
Reconhecemos os diversos matizes em que as dores podem se revelar…
Em face das tantas amarguras, instrua-nos sobre como te encontrar…

Senhor do universo,
auxilia-nos nos sentimentos cristãos, para que inspirados no divino artífice das dores do mundo, o Cristo, possamos repetir seus passos… este que subjugado pelos carnífices e traído pelos pequenos irmãos, soube reverter a dor em raios de luz para toda a humanidade e que fez chegar até nós como chamas vivas de amor.

Senhor,
que as nossas dores sejam a luz a nos revelar as verdades ocultadas pelo egoísmo, pelo orgulho e por tantos outros males que obscurecem nossa visão, entorpecendo nossos sentidos, impossibilitando-nos de entender o real sentido das coisas…

Que eu possa, oh Mestre, encontrar, ante as dilacerações da alma, as verdades escondidas no cerne do espírito…
Diante da dor, que eu possa encontrar-me contigo,
ajoelhado aos pés da tua cruz!

Hênio Aragão

Libertação

Poesia se escreve assim…
No sabor das paixões,
quando as lágrimas da alma se derramam saturadas de emoção.

Olhando nos olhos do tempo,
que compreende essa pequena psicosfera que nos envolve,
remonto-me aos cumes das mais belas sensações alcançadas pelos sentimentos humanos…

Transmudado, em um instante,
aproveito este estado para simplesmente dizer-lhe as belas coisas que me assaltam os sentidos

Veja,
não falo de quimeras,
tão pouco de ilusões…
é a beleza dos olhos da musa em me revelando a sua alma,
desnudada completamente para mim,
que me faz ler essas doces impressões, tão reais quanto o magnetismo exercido pela lua sobre os mortais da Terra.

Embebido pelo suave orvalho das noites olímpicas,
por um instante sou capaz de vislumbrar toda a verdade universal…
por instantes a poesia foi capaz de me legar o liberdade da alma,
promovendo-me o real Nirvana.

Hênio Aragão

Crepúsculo

Há dias intoleráveis em que nem os deuses são capazes de sobrepujar…
Dias em que a batalha parece interminável e que as dores das chagas abertas são insuportáveis,
mas ai vem a noite e, com ela, tudo muda…
ao menos momentaneamente.

A fim de completar mais um ciclo, outra vez ela vem…
Cumprindo sua eterna missão de acalentar o calor da vigília dos homens…

E caminhando pela rua deserta, em meio a noite escura, percebo um doce acalento,
um suave toque,
a brisa noturna cingiu toda a superfície do meu corpo.
A noite generosamente sopra seu hálito frio, enquanto tudo o mais dormia profundamente…
nesse cenário tão eloqüente, remontei-me a um silêncio tão profundo,
eis que me via no habitat da solidão…

Tudo tão tranqüilo…
o ar sutil e generoso, como em doce ato, toca-me a face.
Fecho os olhos…
posso ver o infinito e coisas que ninguém mais vê,
pois meus olhos nesse momento voltam-se para dentro de mim…
então todos os mistérios se apresentam, revelando-me as maravilhas existentes no âmago do imponderável coração humano.

Neste ínterim, não mais me recordava do passado, e o futuro, sua mera perspectiva deixara de existir.
Enfim… só havia um momento…
o presente!

Eu e o mundo, cumprindo cada um os seus desígnios simbioticamente, numa permuta divina, onde eu recebia pródigas inspirações e doava ao mundo as minhas doces aspirações e nesse entrelaçado sobrenatural nascia a poesia…
e com ela todas as dores, delícias, sonhos e sensações poderiam ser vislumbradas pelos olhos de quem ler e tocadas pelo coração de quem possa ser capaz de sentir o espírito do mundo.

 

Hênio Aragão

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