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Encontro

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Finalmente eis que sou chamado ao verso
As reticências cedem às sensações e emanações de matizes desconhecidos
As borboletas internas vibram e não se pode negar o vislumbre do advento da luz matutina,
Há muito escondida detrás da penumbra do horizonte incerto.

Ao deleite do silêncio, sobre o banco de talhada madeira sustentada em pilares de alvenaria ali insculpidos, doce companhia comigo permuta as inspirações sorvidas…

A solidão é superada e o silêncio é a voz do coração tecendo doces melodias de paz…
Desnecessárias as palavras, o toque dos dedos castos transmitem as puras intenções…

E nada do que se diga poderá definir o indescritível,
Toda forma que se queira enquadrar o que provem do imponderável, é mácula lacerante…

Em harmonia com o cosmos, a brisa noturna tocou-nos a face, atravessando-nos por toda a nossa superfície, qual alento divino….
A proximidade é inevitável, além dos corpos, os sonhos se tocam…
Mediante tão eloquente sinfonia de intraduzíveis formas, o elo aufere contornos particulares…
E neste comenos, num infinito particular, é eterna a felicidade e a paz alcançadas pelas almas afins.

Hênio Aragão

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Sabor de Caju

Sabor do Cajú

Hoje comi um caju…
Ora, e vejam só, que sabor especial
É néctar de nostalgia, de infância, de um passado vivo
um sabor que remonta aos terreiros do sertão,
habitat da poesia,
berço salutar da simplicidade, dos carinhos da vovó.
Carreiras de pés descalços sobre a relva,
terraço dos animais…
Sabor de paz, de felicidade e gratidão.
Nunca mais verão outra forma de viver,
Nunca mais virão dias tão longos de inspiração…
O orvalho das manhãs,
O assoviar matutino do corrupião,
jamais esquecido pelo menino,
filho pródigo do sertão.

Hênio Aragão

A Ti, Mulher

Mulher.. hoje é o seu dia. Dia em que todos os olhares e interesses são voltados à tua enorme importância.

Hoje é o dia em que todos, em um único ato, te homenageamos… pois todos os outros dias também são teus, pelo que representa para a humanidade: tua figura consubstanciada em força, em lealdade, em coragem… em puro amor com intensidade, nas diversas formas em que és capaz de se exprimir… na forma de companheira leal, na expressão de amizade, com toda sua força e fidelidade, e na mais alta expressão de sua condição de mulher: como mãe… em seus braços encontramos o abrigo, a segurança… o mais  terno amor.

Mulher… tu és obra divina, fonte de força e de vida… é a nossa pura certeza de que nunca estaremos perdidos neste eterno caminho de flores e espinhos.

Hênio Aragão

 

” Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave … ”
( Vinícius de Moraes )

Saudade

Hoje mais uma vez
viestes em meus sonhos

E teus olhos, como outrora,
tão belos,
tornaram a enganar-me…
encantei-me novamente!

Vieste tu, terna e adorável
e tirou-me do torpor da saudade…
Teu néctar sorvi delirante e apaixonado…
Quão doces emoções senti!
Enternecida e suave minha alma ficou

e ao acordar
ébrio e só,
chorei!

Hênio Aragão

Melodia

Por toda a noite cai a chuva, atravessando a escuridão triste e solitária,
como a banhar a humanidade com as lágrimas serenas dos deuses,
trazendo ao coração do poeta as condições mais perfeitas para a versificação daquilo que deveras sente
e que derrama em torrentes por todos os poros,
em cada ato exalando sua poesia consubstanciada em sentimentos de infinitas nuances…
em cada gesto,
na expressão de um olhar,
na intensidade de um sorriso…
no mais puro desejo de amar

Os pássaros encarcerados ecoam seu canto cativo, como que a reclamar ao poeta:

“−Canta conosco, poeta, o Amor, a Vida, a tua felicidade, as tuas dores.
Toma a tua alma a lira e deixa que o teu coração cante as melodias que te fazem viver…”

Neste comenos, o velho bule ferve sob a intensidade do fogo o café,
este com seu aroma todo inspirador a convidar ao deleite de uma agradável xícara, enquanto a vírgula no verso espera fecundamente.

Ao lápis, neste mesmo diapasão, o coração passa a confidenciar-lhe todo o seu amor, a fim de que descreva com ternura a imagem dos seus devaneios, dos sonhos que o visitam mesmo em vigília.

Em breves instantes é possível nos versos que seja contemplada a imagem que inebria e que encanta o poeta…

Eis que a bela musa se revela.
E seus olhos,
ah! seus olhos,
tão negros e desafiadores…
em seu fito imerge o amante em instantes tão profundos e eterno, quanto suaves e enternecedores…

Embalado pela ótica, assim enfeitiçado, reclama à musa o ósculo sonhado…
E com quão gracioso sorriso, dela antecipado, doce beijo ele sorve.

Transladando-se aos mundos etéreos, lócus da felicidade, o infinito penetra em seu coração…
e o infinito ao coração pertence, porque ilimitado é o amor que verdadeiramente sente.

Ao desenlaçar dos lábios, com ternura a bela se despede e o amante, absorto, fecha os olhos, ali permanecendo, na imensidão da sua alma,
nas profundezas do cosmos criado pela união de seus sonhos,
até o retorno,
ao toque da lótus em seus sentidos, balsamizando a sua vida…

O lápis, eivado de vida, nas linhas derradeiras três pontos ali rasura, na esperança de que o poeta a ele retorne com sua perpétua canção de amor…

Hênio Aragão

Amor Perpétuo

Procurei, amor, uma forma que fosse possível de revelar minha ternura,
meu afeto,
o meu amor…

Mas, por Deus! Eu não posso culpar aos poetas por tamanha negligência,
por eu não ter encontrado nada comparado ao meu suave e tirânico amor…
afinal, eles nunca puderam ver através dos meus olhos, nem sentir com o meu coração.

Minha poesia é única, também inusitada…
é metamórfica e transcendente.
Sentimento que não se sente duas vezes da mesma maneira…
corrente que leva e renova, e traz com mais força a felicidade…

Essa paixão é minha força…
são os cavalos alados que levam a carruagem da minha vida… fazendo-me transportar montanhas e vencer os Ciclopes que surgem mitológicos…

Meu amor é único,
renovador,
é a aurora após noites sombrias…
é a fênix da minha vida!

Hênio Aragão

Versos Calados

Em ligeiras cogitações acreditei que uma poesia escrita ou falada pudesse traduzir todas as belas coisas da alma

Quem dera fosse verdade,
poderia mostrar-lhe as maravilhas da alma e do amor…

Olha nos meus olhos…
Vê?
São os jardins verdejantes e coloridos sob o céu de nuvens espaças entre o sol imponente!

Quando faltar-me a poesia em meus versos, olha nos meus olhos e leia as maravilhas que os meus sonhos ocultam…

Hênio Aragão