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Encontro

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Finalmente eis que sou chamado ao verso
As reticências cedem às sensações e emanações de matizes desconhecidos
As borboletas internas vibram e não se pode negar o vislumbre do advento da luz matutina,
Há muito escondida detrás da penumbra do horizonte incerto.

Ao deleite do silêncio, sobre o banco de talhada madeira sustentada em pilares de alvenaria ali insculpidos, doce companhia comigo permuta as inspirações sorvidas…

A solidão é superada e o silêncio é a voz do coração tecendo doces melodias de paz…
Desnecessárias as palavras, o toque dos dedos castos transmitem as puras intenções…

E nada do que se diga poderá definir o indescritível,
Toda forma que se queira enquadrar o que provem do imponderável, é mácula lacerante…

Em harmonia com o cosmos, a brisa noturna tocou-nos a face, atravessando-nos por toda a nossa superfície, qual alento divino….
A proximidade é inevitável, além dos corpos, os sonhos se tocam…
Mediante tão eloquente sinfonia de intraduzíveis formas, o elo aufere contornos particulares…
E neste comenos, num infinito particular, é eterna a felicidade e a paz alcançadas pelas almas afins.

Hênio Aragão

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DIVINO AMOR

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Um deus,
eis o que sou!

Observe o que te afirmo no seguinte contexto…

Não sou deus desde sempre.
Preteritamente também fiz parte da ordem dos pobres mortais.
Que reles condição!

Indubitavelmente deves estar a indagar-se sobre a qual ordem dos deuses eu faça parte,
ou mesmo, sobre qual deus eu seja.

Pois bem, não vos farei segredo, pois de que serve um deus, que não seja para servir aos seus. Por isso não vos farei oculta minha divindade.

Todavia, antes precisarei contar-te como vim a tornar-me um imortal…

Todo homem é potencialmente um deus. Mas apenas ser dotado de potencialidade não é suficiente. É preciso que haja condição favorável; é preciso ainda, e é um pré-requisito essencial, que exista uma segunda pessoa, esta deve ser especial, de mimosa perfeição e de ternura inigualável… de resto, o universo e os deuses são responsáveis.

Assim, para tornar-me uma divindade, nem os deuses, nem o universo, tão pouco a segunda pessoa contaram com o concurso da minha vontade.

Por isso esta dádiva dos céus independe do querer…
simplesmente tu te tornas divino pelas condições dos teus sentimentos…
estes quanto mais nobres forem, mais poderoso serás.

Existe, entre as divindades do Olimpo, um deus cognominado Eros, filho do deus Poros com a deusa Penia.

Eros é a divindade mais bela e poderosa de todas as divindades, pois tem o poder de criar deuses, de imortalizar criaturas mortais!

Em imortalizar-se, o homem transcende as barreiras do impossível e busca pela felicidade, não a própria, mas daquele ao qual seu coração jurou perpetuamente devotar-se.

Eros é deus do amor…
ou ainda, o próprio amor!

Quando um coração se apresenta em perfeita condição, lá se instala…
Eros, o próprio deus, ai passa a residir.

Aquele, então, cujo coração habita o amor, nada mais se torna do que o próprio deus.

Hênio Aragão

Poesia e Paz

Sol e mar, poesia e paz


Sol e mar
Mais dois amigos a me acompanhar
A soma perfeita
Filosofia e poesia…
Assim estava eu rodeado
O mar, tagarela, não cessava de nos falar as mais belas verdades
Enquanto o sol… sábio e sereno, nos contemplava nutrindo-nos com sua luz
Num intervalo entre uma onda e outra, sentíamos pulsar o coração do oceano
O vento… ah! Soprava-nos o hálito sagrado da vida…
Absortos, ali ficamos… o poeta, o filósofo e eu
Abstraindo cada ensinamento que o universo fazia questão de nos passar
Ainda em meditação, a magia e o encanto da natureza ungiam-nos de paz…
Quantas maravilhas o poeta transformaria em letras viçosas
Quantas verdades universais o filósofo haveria de desvendar…
E assim, quão feliz hei de ficar por contemplar o maravilhoso espetáculo da natureza
Natureza da qual idealizo jamais me dissociar

Hênio Aragão