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Encontro

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Finalmente eis que sou chamado ao verso
As reticências cedem às sensações e emanações de matizes desconhecidos
As borboletas internas vibram e não se pode negar o vislumbre do advento da luz matutina,
Há muito escondida detrás da penumbra do horizonte incerto.

Ao deleite do silêncio, sobre o banco de talhada madeira sustentada em pilares de alvenaria ali insculpidos, doce companhia comigo permuta as inspirações sorvidas…

A solidão é superada e o silêncio é a voz do coração tecendo doces melodias de paz…
Desnecessárias as palavras, o toque dos dedos castos transmitem as puras intenções…

E nada do que se diga poderá definir o indescritível,
Toda forma que se queira enquadrar o que provem do imponderável, é mácula lacerante…

Em harmonia com o cosmos, a brisa noturna tocou-nos a face, atravessando-nos por toda a nossa superfície, qual alento divino….
A proximidade é inevitável, além dos corpos, os sonhos se tocam…
Mediante tão eloquente sinfonia de intraduzíveis formas, o elo aufere contornos particulares…
E neste comenos, num infinito particular, é eterna a felicidade e a paz alcançadas pelas almas afins.

Hênio Aragão

Amar Sempre Mais

Quero te ver em cada segundo durante o dia em meus pensamentos…
quero te ver em cada segundo durante a noite em meus sonhos…
quero me expor ao sol e sentir que na realidade o seu calor é incomparável….

Quando do advento da noite quero olhar as estrelas e a pálida lua… e lembrar que ao brilho dos teus olhos no universo a nada se equivale.
amo-te e não existe nada maior que isso…

Porque para ser feliz bastante se faz amar, amar como se nada no mundo existisse em igual beleza…

Porque para quem ama o amor não implica em dimensões, implica simplesmente em emoções intraduzíveis,
sempre inéditas…
um dia nunca igual ao outro..
o amor que nos é legado sempre, dia após dia, nos surpreende com uma nova nuance…
tão maravilhosa quanto aquilo que não se podia imaginar!
Um amor singular e privilegiado no coração amado sempre brotará…

Hênio Aragão

Devoção

Ei…
Eu quero, quero tanto, tanto…
Fazer-te sorrir, ver-te feliz…
Sentir o toque do teu nariz
Ei…

também podes ouvir?
É a voz do destino.
vê?
É o destino que se nos vem anunciar… revelando sua doce beleza, para muitos oculta!
Nele sinto toda a paz que almejo… e ao meu lado, és tu quem segura em minha mão.

Veja, amor…
Dá-me tua mão… toca meu peito
Sente?
É amor… doce
translúcido!

Eu tenho um sonho…
ter você comigo muitas vezes por um instante… assim, exclusivamente minha!
não é necessário exaurir todo o teu tempo apenas comigo…
mas quero quando em um instante que seja, que este instante seja somente meu

sonho com os teus beijos,
com o calor do teu corpo imprimido no meu,
com os teus meigos olhos fitos nos meus…

Devaneios…
tão intensos desejos.
contemplo tua imagem que visita meus pensamentos com constância
e o seu perfume, ah! Sinto-o…
estendo minhas mãos para debalde alcançá-la… é sempre assim, confundo a realidade com a ilusão… é que os sentidos e os predicados da razão cedem à imensa sede sofrida pelo coração e se condicionam a miragens, tamanha é a necessidade que os abala.

Grandioso amor, este que dilata meu peito, desmesurando meu coração em proporções inabarcáveis…

Prazer e dor…

Dor que não chega a ser expiação, distante disso… Mantém-me desperto!
Assim, também é prazer… Satisfaz minha alma lembrando-me que além do que há em derredor, e acima de tudo, existe um bem maior… um tesouro particular incapaz de se extenuar… tesouro só meu!

Somente quem é capaz de amar pode sentir o coração rasgando suas fibras, inflamado de paixão

Vem,
toca meu coração com teu hálito, move minha alma com o fogo renovador do teu beijo,
faz brilhar com teu sorriso o caminho que me leva até você…

E no final dessa jornada, quando eu não mais estiver…
lembra apenas que você foi o meu destino
e que para o além do que se pode ver existe um amor, um grande amor que jamais perecerá… e a minha lembrança em teu coração será a centelha que nos manterá unidos por toda eternidade, como prometi um dia…porque imperecível é o amor escrito pelas penas de um poeta.

Hênio Aragão

Saudade

Hoje mais uma vez
viestes em meus sonhos

E teus olhos, como outrora,
tão belos,
tornaram a enganar-me…
encantei-me novamente!

Vieste tu, terna e adorável
e tirou-me do torpor da saudade…
Teu néctar sorvi delirante e apaixonado…
Quão doces emoções senti!
Enternecida e suave minha alma ficou

e ao acordar
ébrio e só,
chorei!

Hênio Aragão

Amor Perpétuo

Procurei, amor, uma forma que fosse possível de revelar minha ternura,
meu afeto,
o meu amor…

Mas, por Deus! Eu não posso culpar aos poetas por tamanha negligência,
por eu não ter encontrado nada comparado ao meu suave e tirânico amor…
afinal, eles nunca puderam ver através dos meus olhos, nem sentir com o meu coração.

Minha poesia é única, também inusitada…
é metamórfica e transcendente.
Sentimento que não se sente duas vezes da mesma maneira…
corrente que leva e renova, e traz com mais força a felicidade…

Essa paixão é minha força…
são os cavalos alados que levam a carruagem da minha vida… fazendo-me transportar montanhas e vencer os Ciclopes que surgem mitológicos…

Meu amor é único,
renovador,
é a aurora após noites sombrias…
é a fênix da minha vida!

Hênio Aragão

Abrasados

Sonho com a ternura abrasadora
da tua pele ao sol, minha morena.
Cingir teu corpo, na ânsia que envenena
e te apertar com sede domadora.

Eu quero a calidez inflamadora
dos teus seios macios. Bela cena!
Sujeita-te, que a chama em mim o ordena
pra consumir-te as curvas, sedutora.
Sujeita-te. Desbravo as tuas curvas
até que encontro, em meio a ondas turvas,
o que quer tanto a sede insaciada.

Em meio a convulsões, suor e beijos:
prazer que explode em ânsias e desejos –
grande paixão que aos anjos foi negada.

Filipe Cavalcante
18.09.2010

Filipe Cavalcante, estudante de Direito da Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

Das Paixões ao Amor

              E se te perguntassem sobre as paixões? Quais seriam as suas? Enfim, o que seria na realidade “paixão”?

             O sentido que empregamos comumente ao termo nos remete a uma acepção bastante genérica e não nos permite, portanto, que façamos uma descrição do que quer que seja com fidelidade ao sentido etimológico da palavra. Ou seja, não nos leva à sua essência. Primeiro deveríamos definir seu sentido tal como queremos que sejam respondidas nossas indagações.

             Assim, após tempos compenetrado neste mister, passei a compreender as paixões por sentimentos exacerbados que nos condicionam, por vezes cegamente, às conquistas dos nossos objetos de desejo (amor em sentido lato). É, então, no caminho da realização dos nossos desejos em que conquistamos os valores que enriquecem nosso espírito. No final das contas, as paixões nos servem apenas como estímulo para o desiderato de nossa formação como Homens.

              As paixões podem provocar as mais diversas sensações, chegando a nos levar a vivenciar os dois pólos do prazer: grandes tristezas, infelicidades; como também, grandes alegrias e satisfações.

              Por vezes nos perdemos no abismo de sentimentos, os mais diversos que possamos imaginar, desconsolados por não compreendermos a verdadeira finalidade das coisas.

              Assevera Schopenhauer, em sua teoria sobre o amor, que as paixões são um recurso do inconsciente humano para unirem a priori indivíduos da mesma espécie, a fim de garantirem sua sobrevivência. Aí a resposta sobre o porquê de nos apaixonarmos inúmeras vezes durante nossa existência. É claro que Schopenhauer não considerava o homem numa visão transcendente, haja vista relacionar a paixão a algo meramente biológico. Pecava ainda em desconsiderar a natureza diferenciada da criatura humana em aprimorar elementos primitivos e desenvolve-los até um estágio trabalhado e depurado.

              A paixão é comumente confundida com o amor, agora em um sentido delimitado (estritu sensu), triste engano. Porém, a paixão é o primeiro passo para que se possa construir algo belo e duradouro, o que seria o amor. E assim, quando a chama da paixão apagar, se algo de bom tiver sido construído, restará o amor… este, mais nobre, maduro e eterno.

              O amor é potencialmente grandioso, é belo por ser sábio e paciente. Contrário ao convencionalmente entendido, contrário a toda concepção egoística que se possa atribuir a este sentimento, ou estado de espírito, este é O estado de plenitude alcançado pela criatura humana enquanto ser diferenciado das demais obras da natureza, pois amar verdadeiramente outro ser é algo mais do que apaixonar-se, é um passo a mais que se é dado. Numa linguagem simples, a paixão seria a matéria-prima, que bem trabalhada pelo artífice, o homem, tornar-se-ia uma obra de arte… a obra de arte seria o resultado de um trabalho realizado com ardor pelo homem munido com sentimentos de perseverança num ideal de bondade e de nobreza, onde o indivíduo desenvolveria sua alteridade em prol de uma causa bem maior do que a satisfação dos anseios imediatistas, peculiares da paixão. O estágio final a ser vislumbrado, após longo percurso, é o amor.

              Este sentimento impoluto não é volátil, não está sujeito as oscilações inconvenientes das paixões. Numa óptica Platônica, ou Socrática, o amor é algo que se constrói e depois de desenvolvido no espírito humano não mais morreria, porque amar é antes de tudo viver o belo… o puro! É o Bem aludido com maestria por Platão na alegoria da caverna, como também nos diálogos referentes ao amor travados por Sócrates na obra “O Banquete”, também de autoria de Platão.

              Quem ama é sábio, pois atingiu esta “condição” ao atravessar a turbulenta fase da paixão, ou das paixões (latu sensu). É claro, existem casos isolados em que alguns corações não tiveram que passar por todas as fases que nos levam ao patamar ideal de homem, haja vista lograrem precocemente a visão cosmológica da existência e, por isso, vislumbrarem claramente a real finalidade das coisas.

Hênio Aragão