Cogito Ergo Sum

 

              Algumas vezes tenho me deparo com situações interessantes, estas situações me fazem refletir sobre qual tipo de criatura eu seja… Um homem do gênero homo sapiens sapiens (homem que sabe que sabe), ou seja, aquele que sabe o que faz, tem a capacidade REFLEXIVA e, portanto, CRÍTICA, ou serei um mero homo sapiens ( homem que sabe) este simplesmente repete ações automaticamente, pois sabe que daquela ação decorrerá um resultado previamente esperado. Entretanto, este homem não sabe o porquê do resultado, ele simplesmente espera que aconteça e assim vai vivendo, como um mero animal agindo por meio de instintos e alguns pensamentos primitivos, mas sem REFLEXÃO. Qual desses homens eu sou?

              A resposta vem logo em seguida quando questionado sobre a minha postura diante de problemas que exigem de mim qualquer iniciativa, mínima que seja. Falo de atitudes, de atos concretos e não de mera vontade de agir. A vida não tem sentido, não tem valor, se não fazemos jus a condição que nos consagra como seres humanos, que é a de fazer repercutir as nossas convicções naquilo que consideramos mais correto.

              Algumas situações da vida comum nos reclamam à ação, ao combate que às vezes é inevitável quando nos deparamos diante de uma descarada injustiça, diante de falhas dantescas daqueles que nos devem o respeito mínimo aos direitos pertencentes a nós, estes que foram conquistados à custa de muito suor, lágrimas e sangue. Observar a inércia das pessoas ante essas lesões é muito doloroso… calar frente a uma injustiça não é menos amargo do que sorver uma taça repleta de fel!

              Mas ainda há quem possa argumentar que existem certas batalhas que não se podem vencer, brigas que não se pode comprar, pois são impossíveis de serem vencidas… Existem dois pontos de vistas de onde podem ser entendidas estas questões. O primeiro é o ponto visto a partir de uma perspectiva imediatista, onde o indivíduo almeja alcançar ele mesmo o gozo do objeto discutido, ou seja, visa um fim para si e não para uma causa mais abrangente. Partindo deste princípio, com certeza os efeitos são negativos e qualquer propositura nesse sentido pode ser de total fracasso.  Numa outra face, por outra ótica considerada mais nobre, por ser mais difícil de ser aceita, toda batalha assumida em virtude de um idea0,l é uma batalha vitoriosa. Visto que além de se plantar bons exemplos de cidadania, aquele que lesa o teu direito, ou os que pretendem fazê-lo, pensarão moderadamente antes de intentarem contra eles. Vejam, o que não é admissível de forma alguma, é a total apatia, a inércia, a subserviência, o que configura total desrespeito a dignidade humana. “Todo aquele que, ao ver seu direito torpemente desprezado e pisoteado, não sente em jogo apenas o objeto desse direito, mas também sua própria pessoa…” ( Rudolf Von Ihering)

              Em o homem existindo é preciso que ele se revele e mostre sua real natureza. Então eu pergunto: −És homem ou um verme que rasteja? Se for homem, faz ouvir a tua voz, mostra que existe!

              O silêncio é o desamparo da verdade e o berço da injustiça. Através do diálogo e da ação, doa a quem doer, conseguiremos alcançar nossos propósitos em virtude da democracia, da verdade, da ética e da justiça, nem que seja a longo prazo, mesmo que não venhamos a vivenciar o êxito do investimento… O verdadeiro cidadão luta pelo todo e não pela parte, e que as próximas gerações possam desfrutar de melhores condições que as nossas, assim como experimentamos melhores do que a daqueles que nos precederam. Isto somente foi possível por conta da luta de bravos cidadãos e em detrimento da vida desses heróis, muitos dos quais já esquecidos e desonrados pelo nosso sossego, desta falsa paz.

              O homem, este animal político, o verdadeiro cidadão, tem um pequeno diferencial consigo, ele não apenas assiste e ouve dizer sobre as coisas que acontecem ao seu redor… ele luta pelo Direito (na acepção jurídica), pelos direitos dos homens… o homo sapiens sapiens é muito mais, é o questionador, é aquele que luta pela verdade e pelo cumprimento do dever, pela melhoria das condições de fornecer ao cidadão o gozo dos seus direitos triviais.

              Aproxima-se o segundo turno para a escolha de um novo Presidente da República do Brasil… desse Estado Democrático de Direito. Nossa escolha irá repercutir por muito tempo, positiva ou negativamente. NÃO aceitemos simplesmente algumas melhorias, a velha política do pão e circo, cobremos as soluções.

Hênio Aragão

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2 responses to this post.

  1. Posted by Katiane on 01/12/2011 at 21:39

    Quando li seu texto lembrei uma uma música dos Engenheiros: “Me dá tua mão vem viver vem lutar lado a lado” …

    Sou fã de seus textos!
    Adorei esse trecho que irei reescrevê-lo aqui para ficar guardado na mente de todos nós! Muito bom!

    “És homem ou um verme que rasteja? Se for homem, faz ouvir a tua voz, mostra que existe, diz-me o que tu pensas!”

    Espero que procuremos sempre a sabedoria!

    Responder

  2. Posted by Mariano on 01/12/2011 at 21:39

    Concordo com tudo que vc escreveu!

    Devemos parar para refletir e pensar o que somos e o que queremos…

    Somos as atitudes que tomamos a nosso respeito e principalmente a respeito do mundo em que vivemos.

    Parabéns pelo seu texto.

    Responder

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